Samuel Johnson | Um génio que nasceu há 210 anos

Samuel Johnson 1709-1784 | Texto de Hugo Pinto Santos

Samuel Johnson não é apenas um dos pais do inglês como idioma literário, ou uma fonte inesgotável de frases que hoje admiramos. Crítico, biógrafo, memorialista, lexicógrafo, autor de panfletos, ensaísta polémico e atrevido, tanto como grande erudito, é impossível deixar de o mencionar como «Dr. Johnson».

Hugo Pinto Santos traça algumas dos caminhos para compreender a sua obra notável.

JOHNSON? QUEM, O DOUTOR JOHNSON? Sam Johnson. Assim abreviou Samuel Johnson, não poucas vezes, o seu nome em cartas que endereçou, documentos oficiais por si redigidos, mesmo outros manuscritos saídos da sua pena. Johnson não era um fóssil empoado. Era um autor munido de uma vitalidade espantosa, que viveu até aos 75 anos, apesar de uma saúde perpetuamente precária e de todas as ameaças de hecatombe pessoal que enfrentou desde o início. Ao contrário do que por vezes se presume, Johnson não vivia obcecado com o «Dr.» que, atualmente, quase sempre se apõe ao seu nome, e só o terá usado uma vez. Recebeu como honra muito querida as suas dignidades académicas, mas não concluíra o curso que frequentou, durante pouco mais de um ano, em Oxford. E não era o papa de coisíssima nenhuma. Foi um dos autores mais brilhantemente individuais e insólitos de sempre. Conquistou a duras penas um estatuto que hoje nos parece inquestionável – mas que nem sempre o foi. Enorme crítico, biógrafo eminentíssimo, assinou uma prodigiosa obra de análise literária e estudo biográfico, mas foi também um brilhante escritor político, fortíssimo prosador em toda a largura do espectro, não tendo sido negligenciável no ofício de poeta. O lexicógrafo que foi, ainda hoje nos maravilha, mesmo onde errou, e o seu dicionário é, passados mais de 200 anos, uma referência bem mais do que documental. Mas Johnson ainda arranjou tempo para ser escritor-fantasma (não sabiam?), recenseador, crítico, ensaísta, escritor a soldo – a prová-lo, aí está o recente volume, saído no âmbito da edição de referência do autor: «Johnson on Demand: Reviews, Prefaces, and Ghost-Writings» (Yale University Press, 2018), a cargo de O.M. Brack e Robert DeMaria, Jr.

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O que sabemos sobre dificuldades de leitura, de forma muito resumida para não perder de vista o que é importante

Photo by Jerry Wang on Unsplash

A revista Nature é publicada desde 1869 e é uma das principais publicações científicas do mundo. Em torno dela, foi criado um conjunto de periódicos, entre os quais está o NPJ Science of Learning (NPJ é a sigla para Nature Partner Journals). Nesta revista, em 2017, Genevieve McArthur e Anne Castles publicaram um artigo de revisão, intitulado Helping Children With Reading Difficulties: Some Things We Have Learned So Far . A seguir, destacar-se-ão os pontos mais importantes deste trabalho.

Os leitores com dificuldades mostram distintas formas de ler

As dificuldades de leitura não são homogéneas. Alguns alunos com problemas de leitura têm dificuldade em converter letras em sons. Outros têm dificuldades no reconhecimento de palavras. Há alunos que lêem corretamente, mas de uma forma pouco fluida e há alunos que não compreendem o que lêem.

O mesmo problema pode ter diferentes causas

Ler é um sistema muito complexo e normalmente uma dificuldade não tem uma única causa. Considerando a leitura de forma bastante elementar, é necessário que o leitor tenha processos que lhe permitam reconhecer letras, reconhecer agrupamentos de letras e palavras, converter letras em sons, estas em palavras e perceber o seu significado. Mas não só isso, a atenção, a memória, a percepção dos sons da fala e o desenvolvimento da linguagem oral também influenciam a leitura.

Existem problemas cognitivos e emocionais associados a dificuldades de leitura

Uma proporção considerável de alunos com dificuldades de leitura tem problemas de fala e atenção. Os alunos com dificuldades de leitura apresentam níveis mais elevados de ansiedade e autoestima mais baixa.

As intervenções próximas são mais eficazes do que a distal

Uma característica muito notável dessa revisão é que os seus autores usam com bastante frequência o que chamam de “esquema proximal e distal” para organizar as informações. O próximo é o que está diretamente relacionado aos processos de leitura (reconhecimento de letras, reconhecimento de palavras, acesso ao significado …) e o distal é o que está indiretamente relacionado (atenção, motivação).

Nesse sentido, as intervenções próximas são aquelas que treinam diretamente a leitura ou os processos nela envolvidos, como o aprimoramento das habilidades fonológicas, o ensino das relações entre letras e sons ou a prática do reconhecimento de palavras. As intervenções distais procuram treinar habilidades ou capacidades mais gerais e não diretamente relacionadas com a leitura, como a percepção, a lateralidade ou a memória.

Existe um pequeno número de ensaios clínicos sobre a intervenção nas dificuldades de leitura. Segundo os autores, são 22. A maioria deles valorizou intervenções pedagógicas sobre as relações entre letras e sons para poder ler palavras novas ( fonética ) e este é o único tipo de intervenção que tem produzido resultados significativos. Em contraste, as intervenções distais, incluindo aquelas apresentadas como “terapias alternativas”, não mostraram produzir efeitos significativos nesses ensaios clínicos.

Transferindo o que sabemos para intervenções baseadas em evidências

Devido à heterogeneidade das dificuldades de leitura, uma boa intervenção deve partir de uma avaliação que identifique quais são os processos em que determinado aluno tem dificuldade e se existem dificuldades em outras áreas com relação distal com a leitura (nível cognitivo, atenção, estado emocional…). No entanto, a intervenção deve priorizar os aspectos diretamente relacionados com a leitura.

Traduzido do espanhol com pequenas adaptações.

Referência: Lo que sabemos sobre dificultades de lectura, muy resumido para no perder de vista lo importante. (2019). Retrieved 27 August 2021, from https://clbe.wordpress.com/2019/12/11/lo-que-sabemos-sobre-dificultades-de-lectura-muy-resumido-para-no-perder-de-vista-lo-importante/

Banco de frases académicas

2021

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Um dos aspectos estilísticos mais notáveis da comunicação académica é a tendência dos escritores de evitar expressar certeza absoluta onde pode haver um pequeno grau de incerteza e evitar fazer generalizações excessivas onde um pequeno número de exceções possa existir. Isso significa que há muitos casos em que a força epistemológica (força do conhecimento) de uma declaração, por exemplo, é mitigada (enfraquecida) de alguma forma.

O banco de frases que aqui se apresenta mostra exemplos claros de expressões, frases, que muito facilitam a escrita académica.

Referência: Being Cautious – Academic Phrasebank. (2021). Retrieved 2 July 2021, from https://www.phrasebank.manchester.ac.uk/using-cautious-language/

Rodar o caleidoscópio para ver os três ou mais Herculanos

Revista LER, nº 157 / Texto de Hugo Pinto Santos

De quem falamos, quando falamos de Alexandre Herculano? Quando o seu nome ocorre, e talvez pudesse ser menos raro, é o pioneiro do romantismo português que se refere? O romancista, ou o historiador? O poeta que depôs a lira antes dos 30 anos – ou o jornalista? É o soldado, o combatente pela liberdade? Será o defensor do casamento civil que se casou pela Igreja? Ou ainda o tribuno intermitente – a quem José Estêvão teria dito, ao vê-lo a ler por papéis, no fórum ainda incipiente da democracia portuguesa: «Ó senhor, largue a sebenta!»? De todas essas imagens se comporá Herculano, sem que uma das suas facetas nos autorize a esquecer as outras. Porque todas se implicam mutuamente para formar uma personalidade ímpar, e nada linear, da cultura portuguesa.

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Eu … Leitora | Ana Raquel Rodrigues, estudante do ensino superior

O mundo mágico das fadas, princesas e sereias faz parte do meu imaginário infantil, desde que me lembro. Pela voz da minha mãe, que sempre me rodeou de livros e de histórias que me ajudaram a crescer, conheci mais mundos do que consigo enumerar. Sei, hoje, que este despertar cedo para a leitura foi fundamental para ser quem sou. E não falo só de competências académicas, mas, sobretudo, de criatividade, pensamento crítico e capacidade de compreender o mundo que me rodeia.

Reconheço que o ensino superior não me deixa muito tempo para esta leitura prazerosa e me impele a uma leitura funcional, para responder às exigências do curso que frequento.

Se sinto falta desses momentos íntimos com a leitura? Sim! Sem dúvida.

Falta-me essa escapatória para um mundo paralelo, em que posso participar se quiser, ou retrair-me se não gostar do rumo que a história está a tomar. Posso apaixonar-me por uma personagem ou desejar que outra desapareça. E sinto falta do friozinho no estômago ou da lágrima ao canto do olho quando aquele livro que vivi intensamente chega ao fim. Parece quase uma etapa da minha vida que termina.

Olhando para trás, sei que os livros que li traçaram o caminho que me permite, a cada instante, escolher o meu futuro, embora este seja sempre incerto. 

Se conseguisse mostrar a importância que a leitura teve para mim, estou certa que mais jovens buscariam este prazer secreto que só a leitura nos pode dar.

Se preferir, oiça aqui o relato da Ana Raquel.

Nota: A Ana Raquel tem participado no Espaço de Opinião da Universidade da Madeira (UMa) do Diário de Notícias da Madeira