Olhares para o feminino

Photo by Antonino Visalli on Unsplash

Os dados apurados em muitos estudos internacionais sobre os direitos de homens e mulheres mostram que estamos ainda longe da igualdade plena. Apesar do último relatório do Banco Mundial mostrar progresso no índice “Mulheres, negócios e lei” em que Portugal obteve o máximo da pontuação em todas as componentes avaliadas (mobilidade, local de trabalho, salário, casamento, parentalidade, empreendedorismo, ativos e pensões), sabemos que as desigualdades se mantêm.

O Banco Mundial é claro ao afirmar que “quando as mulheres têm as mesmas oportunidades que os homens, quando entram e ficam na força de trabalho, fortalecem as economias e alavancam o desenvolvimento”, pelo que os estados devem promover a igualdade de oportunidades.

Desde 1908, ano em que se começou a celebrar o Dia Internacional da Mulher, que a lista das mulheres que contribuíram para mudar o rumo da história tem vindo a crescer.

Os exemplos que retratam a capacidade empreendedora da mulher são muitos. Deixamos alguns.

Em Portugal, em 1911, só os chefes de família que soubessem ler podiam votar e pela primeira vez uma mulher votou porque ousou assumir-se como chefe de família, pois era viúva, Carolina Ângelo, médica.

Nos anos 70, o livro “Novas Cartas Portuguesas”, da autoria de Maria Velho da Costa, Maria Teresa Horta e Maria Isabel Barreno desafiou a autoridade moral e afrontou o domínio masculino entre nós.

Lá fora, Frida Kahlo, uma das pintoras mais conhecidas no mundo, a investigadora Rosalind Franklin que esteve envolvida na descoberta da estrutura do ADN, Federica Montseny, a primeira mulher ministra na Europa, Evita Péron, a primeira dama do povo e Virginia Woolf, escritora que lutou pelos direitos das mulheres e contra o domínio dos homens no mundo editorial, entre outras, marcaram os feitos no feminino.

Para além de Virginia Woolf deixamos uma proposta de quatro autoras, consideradas chave, para aqueles que querem conhecer pontos de vista feministas na literatura:

Alice Munro
Dulce Chacón
Margaret Atwood
Simone de Beauvoir

No cinema, apesar do trabalho das realizadoras portuguesas ser raramente exibido, há figuras femininas incontornáveis, hoje, na sétima arte.

Um estudo publicado no jornal BMC Psychology revela que as mulheres têm melhor desempenho que os homens, quando estão a realizar várias tarefas ao mesmo tempo. E já sabemos que, em Portugal, há mais mulheres advogadas, juristas e médicas, para não falar de outras profissões como o ensino.

Terminamos com um hino à condição feminina da autoria da “Andante Associação Artística”.

Clique para visualizar no Youtube

E, já agora, conheça o roteiro das estátuas que, por Lisboa, celebra as mulheres portuguesas que marcaram o seu tempo, das artes à política, representando várias classes sociais.

Como um vírus | Cristina Paiva

Oiça o texto ou leia-o | Texto e voz – Cristina Paiva
Sonoplastia – Fernando Ladeira

Faz um exercício: suprime as letras. Suprime as palavras escritas. Suprime as ordens, os alertas, os anúncios, os editais, as declarações. Suprime as cartas, os cadernos, os livros. Suprime essa linguagem cifrada cujo código tanto te enfastia. Suprime o pensamento, a imaginação, a criação, o entendimento, a compreensão, a compaixão.

Faz um exercício: rebenta com a memória, explode esses circuitos que te ligam aos outros, faz detonar a avalanche de histórias que tentam desenhar um caminho, incendeia o aconchego das canções de embalar, bombardeia os poemas, queima os livros.

Faz um exercício: fecha a porta, as janelas, os canais; impede o ar, o tacto, o cheiro; bloqueia qualquer tentativa de contacto.

Chegado aqui talvez precises de qualquer coisa que não sabes definir. Uma fome? Uma sede? Uma falta de ar? Um sono? Uma fuga? Não sabes dizer. Falta qualquer coisa. O quê? Ar? Algo que põe os dedos dos pés a mexer. São espasmos. Não os consegues parar. Já as pernas pedalam involuntariamente e tu sem saberes o que te pede o corpo. Ar? As mãos e os braços entram também na dança. Um corpo epiléptico. Sem ar. Apesar de tanto movimento, a dança involuntária não te traz prazer. Como se um feixe te canas de rodeassem. Uma prisão.

Chegado aqui páras. Finalmente preso, imóvel. O sossego. Finalmente respiras. Livremente. Sem mais necessidades. E subitamente ouves: Chamem-me Ismael. Ouves? É uma voz? Sim, é uma voz. A tua voz? Sim, não há mais ninguém à volta. Escutas com mais atenção: Eu não sou eu nem sou o outro. Mau! Tanto esforço para nada. Respiras fundo. Ar. O ar é importante. E não pensar. Ensinaram-te: não penses, não te coíbas de apenas sentir, liberta-te da prisão do pensamento. Ora até que enfim…, perfeitamente…/ Cá está ela!/ Tenho a loucura exactamente na cabeça. Como pipocas a saltar. Não te largam. É difícil o abandono. Mas é possível. Só tens de ser perseverante. Respira. Profundamente. Estás só. Sem antes nem depois. Amansado finalmente o corpo só precisas de respirar profundamente. Arranca o estatuário uma pedra dessas montanhas… Impossível. os olhos verdes de Diadorim…As letras, Nada temos porque nada somos…as palavras, Penso: talvez o sofrimento seja lançado às multidões em punhados e talvez o grosso caia em cima de uns e pouco ou nada em cima de outros…as frases, Comigo me desavim,/ Sou posto em todo perigo;… os versos, Conheço o sal da tua boca…  os poemas, Não posso adiar o amor para outro século… os livros, Uma lenda antiga dizia que um dia os deuses do Olimpo, cansados das durezas da guerra  e das batalhas do amor, deixaram o monte mágico onde residiam e voaram na direcção do extremo ocidental do mundo, …o mundo feito de linguagem a desenhar caminhos dentro e fora de ti. Nesta curva tão terna e lancinante / que vai ser que já é o teu desaparecimento / digo-te adeus / e como um adolescente / tropeço de ternura / por ti.

Uma vez começado não há dança epiléptica que o evite. É como o amor. É como um vírus. É como a vida. Respira. Tens uma mão ao lado para segurar. Faz este exercício: Agarra-a, prende-a bem, não a largues. Nunca ficarás só.

Citações de Herman Melville, Mário de Sá-Carneiro, Álvaro de Campos, João Guimarães Rosa, Bernardo Soares, José Luís Peixoto, Sá de Miranda, Jorge de Sena, António Ramos Rosa, Lídia Jorge e Alexandre O’Neill.

O papel das inferências na compreensão leitora

Photo by Pietro Tebaldi on Unsplash

Os investigadores da área da leitura são consensuais quando referem que a capacidade para construir inferências é fundamental para a compreensão leitora. Este é um processo complexo e interativo que requer a ativação de uma quantidade considerável de conhecimentos por parte do leitor e a criação de um grande número de inferências (Léon, 2001).

Então de que se fala quando se fala de inferências?

Gostamos particularmente da abordagem de Bruner (1957) que identifica a mente humana com uma «máquina de inferências», ao referir-se à sua destreza para ativar o conhecimento já armazenado e a utilizá-lo para organizar e interpretar nova informação, através de complexas relações abstratas não provenientes de estímulos.

Esta informação, que não aparece de forma explícita num texto e que depende da construção de cada leitor, é fundamental para a compreensão leitora e deve ser uma das vertentes a ter em conta quando se trabalha a leitura. De facto, construir inferências é uma atividade complexa e imprescindível nos processos de compreensão do discurso.

A construção das inferências tem merecido a atenção de inúmeros investigadores, revelando os estudos mais recentes dois aspetos essenciais:

1.º O treino da competência para construir inferências tem um impacto positivo na compreensão leitora, mesmo em alunos com dificuldades de leitura.

2.º As atividades mais adequadas ao ensino da construção de inferências são:

  • A localização de palavras chave no texto que ajudam o aluno a responder a perguntas inferenciais depois da leitura;
  • A ativação de conhecimentos prévios;
  • A resposta a perguntas inferenciais;
  • A utilização de estratégias metacognitivas, nomeadamente a formulação de perguntas e respetivas respostas pelo aluno.

Desta forma, o processo inferencial ajuda os alunos a preencher lacunas de sentido, a relacionar informações e a integrá-las num contexto mais lato.

Terminamos citando Umberto Eco “É possível inferir dos textos coisas que eles não dizem explicitamente – e a colaboração do leitor baseia-se nesse princípio, mas não se pode fazê-los dizer o contrário do que dizem” (Eco, 2002, p. 98).

Referências bibliográficas:

Bruner, J.S. (1957). Going beyond the information given. En J.S. Bruner, E. Brunswik, L. Festinger, F. Heider, K. F. Muenzinger, Ch. E. Osgood, y D. Rapaport (Eds.), Contemporary approaches to cognition. Cambridge, Mass: Harvard University Press.

Eco, Umberto (2000). Os Limites da Interpretação. São Paulo: Perspectiva.

Léon, J. A. (2001). Las inferencias en la comprensión e interpretación del discurso.Un análisis para su estudio e investigación. Revista signos, 34 (49-50), 113-125.

Para saber mais: Enseñar a construir inferencias. Tres revisiones.

Ler com eficácia | criar leitores competentes

Photo by Bacila Vlad on Unsplash

As discussões em torno da leitura costumam centrar-se em duas questões essenciais: os hábitos de leitura e a competência leitora. Existe, contudo, outro aspeto que não deve ser descurado. A eficácia da leitura.

Os estudos dizem-nos que quem lê de forma eficaz fica preparado para lidar com problemas, pois a leitura promove a responsabilidade e a autonomia, fomenta o questionamento crítico, estimula a criatividade e aumenta a empatia (1).

Para isso, temos de criar o hábito de utilizar ou pôr em prática o que lemos. Isto é, devemos utilizar de forma efetiva os ensinamentos, conhecimentos e informações que os livros que lemos nos transmitem.

Os peritos nesta área deixam algumas pistas que nos poderão ajudar a ler com eficácia:

  • Treinar a memória;
  • Criar ligações;
  • Conhecer outras estratégias de leitura.

De facto, sabemos que as pessoas mais bem sucedidas são leitores competentes que não leem apenas por prazer. Leem também para aprender. E os exemplos práticos sucedem-se:

  • Tirar notas nas margens;
  • Listar as palavras desconhecidas;
  • Colocar post-its nas páginas com conteúdo de interesse;
  • Criar cartões (auxiliares de memória) físicos ou digitais com as informações mais relevantes;
  • Registar no final de cada capítulo as ideias principais que nos possam vir a ser úteis;
  • No início ou final do livro criar um índice com a indicação das páginas que têm informação relevante;
  • Num bloco de notas, físico ou virtual, registar passagens do livro e, à frente, colocar comentários (podem ser dúvidas, impressões, emoções…);
  • Destacar todas as passagens que nos emocionaram, que nos ensinaram algo, ou até com as quais discordamos.

Desta forma, criamos um mapa mental que nos ajudará a associar informações ao livro que lemos, beneficiando do conhecimento que nos proporcionou. E, rapidamente, nos tornaremos num leitor competente.

O PNL 2027, na sua missão de fomentar a leitura, propõe-se ouvir alguns leitores, que poderão trazer contributos significativos para os que querem ler mais e melhor.

(1) Mackay, J. (2016). Reading with intention can change your life. Retrieved 26 January 2021, from https://qz.com/658605/reading-with-intention-can-change-your-life.

O PNL2027 também se ouve!

Photo by Lee Campbell on Unsplash

Num mundo cada vez mais multissensorial, a diversificação de canais e meios é o caminho para chegar a mais utilizadores. O áudio é incontornável, sobretudo se pretendemos alcançar um público mais jovem, pois a portabilidade de um podcast, disponível a qualquer hora e em qualquer lugar, torna-o apetecível.

De facto, o podcast veio para ficar e as organizações devem ponderar criar e usá-lo, pois, para além de poder ser utilizado das mais variadas formas (enquanto viajamos, praticamos desporto, cozinhamos…), estreita a relação entre a organização e o seu público.

Fazem por isso, cada vez mais, parte da estratégia de social networking das organizações, razão pela qual têm vindo a ganhar imensa popularidade ao longo dos anos.

O PNL2027, ciente das potencialidades dos podcasts, criou o seu canal, onde partilha conteúdos promotores da criação de conhecimento. Serão disponibilizados podcasts relevantes para a audiência que serve – entrevistas, comunicações em seminários e encontros, intervenções de personalidades nacionais e internacionais.