Ler Literatura | Anabela Mota Ribeiro

Imagem no blogue da autora

Anabela Mota Ribeiro esteve na NOVA School of Science and Technology, Campus da Caparica, no dia 31 de maio, no âmbito do concurso READS, Leitura e Escrita para o Ensino Superior. É este o pretexto para esta publicação.

Anabela Mota Ribeiro é escritora e jornalista e escreveu Ler e escrever (Plano Nacional de Leitura), um texto sobre a sua relação com a leitura e a escrita ao longo do tempo. Podia, perfeitamente, ser um Eu… leitor deste blogue.

É uma escritora que ilustra bem o papel que os media podem (têm que, tardam em) ter hoje na sala de aula, na Escola. Como exemplo concreto, do que se afirma, leia-se este outro texto: Fernando Pessoa (p/ Sr. Moitinho).

No Campus da Caparica, a autora, deu voz ao texto Ler Literatura:

Se preferir, pode ler o texto, ou ouvir o podcast:

Conteúdo relacionado:

Formar novos leitores | Travessia das Letras

Parque dos Poetas | Templo da Poesia | Oeiras

A 2ª edição da Travessia das Letras surge no âmbito do bicentenário da Independência do Brasil (1822-2022) e celebra a língua portuguesa e a literatura infantojuvenil.

A síntese do que aconteceu

Esta 2ª edição decorreu no Parque dos Poetas – Templo da Poesia, em Oeiras, durante a semana de 16 a 22 de maio. 

Um dos temas abordados foi o da formação de novos leitores. Tratando-se de um assunto caro ao PNL2027, deixam-se aqui as intervenções de Rita Pimenta (jornalista) e de Teresa Calçada (Comissária do PNL2027).

Rita Pimenta
Jornalista – Copydesk
PÚBLICO- Comunicação Social, AS 
http://blogues.publico.pt/letrapequena/ 

Rita Pimenta responde a algumas perguntas

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Teresa Calçada | Comissária do PNL2027

Um olhar sobre os resultados do “Inquérito às práticas culturais dos portugueses”

Download do relatório |

Apresenta-se aqui a síntese do “Inquérito às práticas culturais dos portugueses” publicado originalmente no site da Fundação Calouste Gulbenkian. No fim do post poderá ler alguns artigos, de informação e de opinião, publicados nos media.

“Encomendado pela Fundação Gulbenkian ao Instituto de Ciências Sociais (ICS), o estudo fornece às instituições culturais uma grelha de leitura sobre os seus públicos, atuais e futuros, e quer contribuir para a produção de políticas públicas inovadoras.

O inquérito reúne informação socialmente relevante e estatisticamente representativa da população residente em Portugal, regiões autónomas incluídas, com 15 ou mais anos de idade. A amostra tem uma dimensão de 2000 inquiridos.

Os domínios pesquisados abrangem consumos culturais através da Internet, da televisão e da rádio; práticas de leitura em formato impresso e digital; frequência de bibliotecas, museus, monumentos históricos, sítios arqueológicos e galerias de arte; idas ao cinema, concertos e espetáculos ao vivo, incluindo festivais e festas locais; participação artística e capitais culturais (ver resultados abaixo).

Disponibilizam-se também indicadores de participação cultural mais interventiva ou comprometida, como o exercício de práticas artísticas amadoras, a partilha de conteúdos culturais de autoria própria, a interação online em temas relacionados com a cultura, a participação em blogues, o voluntariado e a participação em associações culturais.

Propõe-se ainda uma importante bateria de indicadores sobre as motivações e os obstáculos que mobilizam ou não os portugueses para o exercício de práticas culturais nucleares, indicadores que permitirão ajustar estratégias de captação e fidelização dos públicos da cultura.”

Ler na fonte (Fundação Calouste Gulbenkian)

Internet e consumos culturais

A percentagem de inquiridos que utilizam a Internet (71%) fica aquém da média alcançada pelos países da UE-27 (87%) (Eurostat 2021). Razões de natureza demográfica, educacional e económica poderão explicar esta divergência.

Utilização da Internet (%)

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Como um vírus | Cristina Paiva

Oiça o texto ou leia-o | Texto e voz – Cristina Paiva
Sonoplastia – Fernando Ladeira

Faz um exercício: suprime as letras. Suprime as palavras escritas. Suprime as ordens, os alertas, os anúncios, os editais, as declarações. Suprime as cartas, os cadernos, os livros. Suprime essa linguagem cifrada cujo código tanto te enfastia. Suprime o pensamento, a imaginação, a criação, o entendimento, a compreensão, a compaixão.

Faz um exercício: rebenta com a memória, explode esses circuitos que te ligam aos outros, faz detonar a avalanche de histórias que tentam desenhar um caminho, incendeia o aconchego das canções de embalar, bombardeia os poemas, queima os livros.

Faz um exercício: fecha a porta, as janelas, os canais; impede o ar, o tacto, o cheiro; bloqueia qualquer tentativa de contacto.

Chegado aqui talvez precises de qualquer coisa que não sabes definir. Uma fome? Uma sede? Uma falta de ar? Um sono? Uma fuga? Não sabes dizer. Falta qualquer coisa. O quê? Ar? Algo que põe os dedos dos pés a mexer. São espasmos. Não os consegues parar. Já as pernas pedalam involuntariamente e tu sem saberes o que te pede o corpo. Ar? As mãos e os braços entram também na dança. Um corpo epiléptico. Sem ar. Apesar de tanto movimento, a dança involuntária não te traz prazer. Como se um feixe te canas de rodeassem. Uma prisão.

Chegado aqui páras. Finalmente preso, imóvel. O sossego. Finalmente respiras. Livremente. Sem mais necessidades. E subitamente ouves: Chamem-me Ismael. Ouves? É uma voz? Sim, é uma voz. A tua voz? Sim, não há mais ninguém à volta. Escutas com mais atenção: Eu não sou eu nem sou o outro. Mau! Tanto esforço para nada. Respiras fundo. Ar. O ar é importante. E não pensar. Ensinaram-te: não penses, não te coíbas de apenas sentir, liberta-te da prisão do pensamento. Ora até que enfim…, perfeitamente…/ Cá está ela!/ Tenho a loucura exactamente na cabeça. Como pipocas a saltar. Não te largam. É difícil o abandono. Mas é possível. Só tens de ser perseverante. Respira. Profundamente. Estás só. Sem antes nem depois. Amansado finalmente o corpo só precisas de respirar profundamente. Arranca o estatuário uma pedra dessas montanhas… Impossível. os olhos verdes de Diadorim…As letras, Nada temos porque nada somos…as palavras, Penso: talvez o sofrimento seja lançado às multidões em punhados e talvez o grosso caia em cima de uns e pouco ou nada em cima de outros…as frases, Comigo me desavim,/ Sou posto em todo perigo;… os versos, Conheço o sal da tua boca…  os poemas, Não posso adiar o amor para outro século… os livros, Uma lenda antiga dizia que um dia os deuses do Olimpo, cansados das durezas da guerra  e das batalhas do amor, deixaram o monte mágico onde residiam e voaram na direcção do extremo ocidental do mundo, …o mundo feito de linguagem a desenhar caminhos dentro e fora de ti. Nesta curva tão terna e lancinante / que vai ser que já é o teu desaparecimento / digo-te adeus / e como um adolescente / tropeço de ternura / por ti.

Uma vez começado não há dança epiléptica que o evite. É como o amor. É como um vírus. É como a vida. Respira. Tens uma mão ao lado para segurar. Faz este exercício: Agarra-a, prende-a bem, não a largues. Nunca ficarás só.

Citações de Herman Melville, Mário de Sá-Carneiro, Álvaro de Campos, João Guimarães Rosa, Bernardo Soares, José Luís Peixoto, Sá de Miranda, Jorge de Sena, António Ramos Rosa, Lídia Jorge e Alexandre O’Neill.

Sobre a contemporaneidade do blogue

A presença digital das organizações tem vindo a diversificar-se ao longo do tempo, no sentido de responder a diferentes públicos e de dar visibilidade à missão que lhes dá razão de ser.

A criação de uma identidade digital forte é, por isso, uma das preocupações das organizações que têm apostado cada vez mais, para além dos sites institucionais, na criação de blogues, revistas digitais, canais de podcasts e de vídeo, para além de uma aposta forte nas redes sociais.

Esta identidade digital permite alargar a ligação com o público alvo, favorecendo uma relação mais próxima. Desta forma, os leitores sentem a necessidade de consultar com regularidade os canais de comunicação da organização, pois sabem que encontram aí conteúdos relevantes e atuais.

O blogue tem a particularidade de assumir a forma de diário, organizado cronologicamente, o que lhe empresta um caráter mais intimista e mais próximo do leitor.

Caracteriza-se pela publicação periódica e regular de artigos de relevo, geralmente sucintos, que podem ser da autoria dos curadores/ bloggers ou podem remeter para artigos de fundo, cabendo, neste caso, ao curador a atribuição de valor ao que está a apresentar ao leitor, através de uma explicação simples e estruturada que permita uma antevisão do artigo cuja leitura se propõe.

Apesar da estrutura cronológica do blogue, o sistema de categorias e etiquetas e a possibilidade de misturar texto, hipertexto e elementos multimédia conferem-lhe funcionalidades que o catapultam para a liderança dos canais digitais.