A leitura eletrónica em retrospetiva

Photo by Mathieu Stern on Unsplash

Embora possa parecer que a leitura eletrónica já exista há muito tempo, a verdade é que o primeiro microprocessador, o Intel 4004, foi lançado em 1971, época em que os computadores pessoais começaram a popularizar-se. O seu uso massivo para a comunicação e o acesso à informação ainda levaria alguns anos a chegar.

O famoso teste internacional de avaliação PISA só integrou a leitura eletrónica (Leitura Eletrónica: PISA 2009-ERA) na sua terceira edição, em 2009. Os resultados permitiram comparar a leitura de textos impressos com a leitura digital e mostrar que esta última exigia habilidades adicionais, as chamadas “habilidades de navegação”, como por exemplo: avaliar os links para aceder às páginas relevantes, não se distrair com as irrelevantes, voltar a uma página previamente consultada quando necessário.

A leitura eletrónica não contempla apenas a utilização de menus, scroll ou links para percorrer o texto. A ordem e o roteiro de leitura diferem de leitor para leitor, dependendo dos links escolhidos a cada momento (A compreensão dos hipertextos), pelo que a estratégia de leitura selecionada deve ser eficiente.

Mas a leitura eletrónica não é algo completamente diferente da leitura no papel (Relação entre competência de leitura e leitura digital), apesar de terem  mais peso as habilidades de leitura “tradicionais”. Para fazer face a estas diferenças, já foram propostos modelos que abrangem as duas formas de leitura (Resolução de problemas de informação: uma habilidade complexa).

Durante algum tempo, falou-se muito sobre os nativos digitais: gerações que nasceram quando o uso de dispositivos digitais e da internet já eram comuns e às quais, às vezes, eram atribuídas habilidades especiais para pesquisar e gerir informações em formato eletrónico. No entanto, os dados não confirmam estas ideias (Fatores que influenciam a compreensão de textos na Internet. Alguns dados de adolescentes ; As dificuldades dos nativos digitais com os textos digitais).

Essa nova forma de representar a informação criou novos usos e possibilidades. Apresentam-se exemplos de propostas de leitura de histórias para crianças, onde se utiliza a leitura tradicional, o uso de multimédia e histórias interativas (Histórias multimédia, histórias interativas ou ouvir histórias?), associando-lhes a leitura partilhada (Aconchegue-se comigo e vamos ler este e-book).

A utilização de apps para dispositivos eletrónicos tem, também, sido alvo de atenção, pois usam as características dos dispositivos móveis para fomentar a leitura rápida, aumentando a velocidade de leitura (Spritz. Consegue ler a 1000 palavras por minuto?), o que parece ter um impacto negativo na compreensão.

Por fim, o mais surpreendente na leitura eletrónica é que, embora pareça uma evolução da leitura em suporte de papel, a compreensão de textos impressos é melhor do que em textos eletrónicos (Não deite fora ainda os livros de papel;  Ler no papel é ainda melhor, mas não sabemos por quê). 

Cabe à comunidade científica explicar este fenómeno.

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Texto reproduzido, a partir da fonte, com alterações.

Referência: Décimo aniversario 6. Lectura electrónica. (2021). Retrieved 18 May 2021, from https://clbe.wordpress.com/2021/05/12/decimo-aniversario-6-lectura-electronica/

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