Júlio Dinis | não viver de leve, não escrever de leve, não morrer de leve

Revista Ler | Inverno 2019 | Texto de Hugo Pinto Santos


Não pode ser lida sem as maiores reservas, a conhecida frase de Eça de Queirós. Autêntica divisa para apressados da leitura, salvo-conduto para qualquer consciência literária minimamente culpada, não faz justiça a Júlio Dinis. A não ser que se considere viver e morrer de leve não ter chegado aos 32 anos; ser médico e ter estudado a doença, mas sucumbir à tuberculose, em lenta agonia, depois de um percurso como doente que foi, também ele, uma demorada e torturante agonia. E, quanto a escrever de leve, que dizer de quem assinou algumas das primeiras páginas portuguesas em que pulsava um autêntico realismo – fora de escolas ou postulados encarniçados? Que dizer senão que este autor não escreveu, nem viveu, nem morreu de leve? Para absolver o genial Eça do mal que praticou com aquela frase, levianamente escrita, e demasiadas vezes repetida, sem critério, nem reflexão suficiente, bastaria, porém, lermos estas outras palavras do homem da Póvoa, escritas sobre As Pupilas do Senhor Reitor: «Era um livro real, aparecendo no meio de uma literatura artificial, com uma simplicidade verdadeira, como uma paisagem de Cláudio Loreno, entre grossas telas mitológicas. Era um livro onde se ia respirar.»

(…)

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