O papel das inferências na compreensão leitora

Photo by Pietro Tebaldi on Unsplash

Os investigadores da área da leitura são consensuais quando referem que a capacidade para construir inferências é fundamental para a compreensão leitora. Este é um processo complexo e interativo que requer a ativação de uma quantidade considerável de conhecimentos por parte do leitor e a criação de um grande número de inferências (Léon, 2001).

Então de que se fala quando se fala de inferências?

Gostamos particularmente da abordagem de Bruner (1957) que identifica a mente humana com uma «máquina de inferências», ao referir-se à sua destreza para ativar o conhecimento já armazenado e a utilizá-lo para organizar e interpretar nova informação, através de complexas relações abstratas não provenientes de estímulos.

Esta informação, que não aparece de forma explícita num texto e que depende da construção de cada leitor, é fundamental para a compreensão leitora e deve ser uma das vertentes a ter em conta quando se trabalha a leitura. De facto, construir inferências é uma atividade complexa e imprescindível nos processos de compreensão do discurso.

A construção das inferências tem merecido a atenção de inúmeros investigadores, revelando os estudos mais recentes dois aspetos essenciais:

1.º O treino da competência para construir inferências tem um impacto positivo na compreensão leitora, mesmo em alunos com dificuldades de leitura.

2.º As atividades mais adequadas ao ensino da construção de inferências são:

  • A localização de palavras chave no texto que ajudam o aluno a responder a perguntas inferenciais depois da leitura;
  • A ativação de conhecimentos prévios;
  • A resposta a perguntas inferenciais;
  • A utilização de estratégias metacognitivas, nomeadamente a formulação de perguntas e respetivas respostas pelo aluno.

Desta forma, o processo inferencial ajuda os alunos a preencher lacunas de sentido, a relacionar informações e a integrá-las num contexto mais lato.

Terminamos citando Umberto Eco “É possível inferir dos textos coisas que eles não dizem explicitamente – e a colaboração do leitor baseia-se nesse princípio, mas não se pode fazê-los dizer o contrário do que dizem” (Eco, 2002, p. 98).

Referências bibliográficas:

Bruner, J.S. (1957). Going beyond the information given. En J.S. Bruner, E. Brunswik, L. Festinger, F. Heider, K. F. Muenzinger, Ch. E. Osgood, y D. Rapaport (Eds.), Contemporary approaches to cognition. Cambridge, Mass: Harvard University Press.

Eco, Umberto (2000). Os Limites da Interpretação. São Paulo: Perspectiva.

Léon, J. A. (2001). Las inferencias en la comprensión e interpretación del discurso.Un análisis para su estudio e investigación. Revista signos, 34 (49-50), 113-125.

Para saber mais: Enseñar a construir inferencias. Tres revisiones.

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